Tensão em Dia
Atualizado: 24 de setembro de 2026
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Tensão normal por idade: o que diz a DGS em 2026

Redação Tensão em Dia 24 de setembro de 2026 11 fontes

Resposta curta: não existe uma tabela oficial de tensão arterial normal por idade nem por sexo. Em Portugal, a Norma n.º 001/2026 da Direção-Geral da Saúde aplica o mesmo limiar a todos os adultos com 18 ou mais anos, homens e mulheres: fala-se de hipertensão a partir de 140/90 mmHg medidos no gabinete médico, ou de 135/85 mmHg medidos em casa, tenha a pessoa 25, 52 ou 78 anos. O que muda com a idade não é o valor que define a doença. É a probabilidade de a ter — 11% entre os 15 e os 34 anos, 44% entre os 35 e os 64, 77% a partir dos 65 —, a frequência com que convém medir e, em quem já toma medicação, o valor-alvo do tratamento.

Esta página é da Redação Tensão em Dia — uma equipa editorial, sem médico inventado a assinar; quem somos e com que regras trabalhamos está em quem somos e em como trabalhamos. Foi publicado a 27 de agosto de 2026 e revisto a 24 de setembro de 2026, com a leitura integral das guidelines ESC 2024 e da comparação ESH 2023, a atualização dos dados por sexo do INSEF e a verificação de que todas as ligações estavam ativas nessa data. Cada número tem a fonte ao lado. Se uma norma mudar, esta página muda com ela e a data de revisão também.

Tensão arterial por idade e sexo: a tabela com o que muda e o que não muda

A tabela seguinte junta as três fontes oficiais em vigor — a Norma DGS n.º 001/2026, as guidelines da Sociedade Europeia de Cardiologia de 2024 (ESC) e as da Sociedade Europeia de Hipertensão de 2023 (ESH) — e os dados de prevalência medidos em Portugal. A primeira coluna de valores é igual em todas as linhas, e isso não é um erro: é a resposta.

Idade Hipertensão a partir de (gabinete) Hipertensos em Portugal Rastreio recomendado (DGS) Alvo se já toma medicação
18–39 anos 140/90 mmHg 11% (15–34 anos) de 3 em 3 anos 120–129/70–79 mmHg (DGS, ESC); ESH: <130/80
40–64 anos 140/90 mmHg 44% (35–64 anos) todos os anos 120–129/70–79 mmHg (DGS, ESC); ESH: <130/80
65–79 anos 140/90 mmHg 77% (65 ou mais) todos os anos 120–129/70–79 mmHg (DGS, ESC); ESH: <140/80, ou <130/80 se bem tolerado
80–84 anos 140/90 mmHg (ESH: fármacos a partir de 160 de sistólica) 77% (65 ou mais) todos os anos DGS e ESC: 120–129 se tolerado; ESH: sistólica 140–150
85 anos ou mais, ou fragilidade 140/90 mmHg 77% (65 ou mais) todos os anos «o mais baixo que for razoável» (ALARA), decidido caso a caso
Homens, qualquer idade 140/90 mmHg 34% (meta-análise 2026); 39,6% (INSEF 2015) conforme a idade igual ao da faixa etária
Mulheres, qualquer idade 140/90 mmHg 33% (meta-análise 2026) conforme a idade igual ao da faixa etária

Limiares e alvos em mmHg, medidos no gabinete médico. Em casa, o limiar de hipertensão desce para 135/85 mmHg em todas as linhas. Prevalência: revisão sistemática na Revista Portuguesa de Cardiologia, março de 2026, e INSEF 2015 do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Três coisas a ler nesta tabela. A coluna do diagnóstico não mexe: 140/90 mmHg aos 25 anos e 140/90 mmHg aos 85. A coluna da prevalência sobe sete vezes entre os mais novos e os mais velhos — é isto que as pessoas sentem quando dizem que «a tensão sobe com a idade». E a única coluna onde a idade muda um número é a última, o alvo de quem já está tratado: a ESH de 2023 aceita valores mais altos a partir dos 65 e sobretudo dos 80 anos, enquanto a DGS e a ESC de 2024 preferem 120–129 mmHg de sistólica para quase todos, com exceções a partir dos 85 anos, na fragilidade e na hipotensão ortostática. Essa é uma decisão de tratamento, tomada por um médico, e não uma definição de «normal».

Existe uma tabela de tensão arterial normal por idade?

Não existe. A Norma DGS n.º 001/2026, publicada a 4 de março de 2026, usa um único limiar de diagnóstico — 140/90 mmHg no gabinete médico — para toda a população adulta com 18 ou mais anos. As duas únicas situações que a norma deixa de fora do seu âmbito são a gravidez e a hipertensão secundária. A idade não é uma delas.

As tabelas que circulam em sites de saúde, com linhas do género «aos 60 anos é normal até 150/90», não têm base nas orientações oficiais em vigor, nem nas portuguesas nem nas europeias. São um resquício de recomendações anteriores a 2003, que toleravam valores mais altos em pessoas idosas por se assumir que a subida da tensão fazia parte do envelhecimento normal.

O problema dessas tabelas não é serem antigas. É darem permissão.

Um homem de 68 anos que veja 152/88 numa linha marcada como «normal para a sua idade» tem uma boa razão para não falar disso na próxima consulta — e, pela norma atual, esse valor é hipertensão.

Porque é que a nossa tabela por idade não tem «valores normais» diferentes

Porque teríamos de os inventar. Publicar uma linha «normal aos 60: até 145/90» daria a esta página exatamente o formato que a pesquisa pede, e é por isso que tantos sites o fazem. Só que não existe nenhuma fonte oficial atual — portuguesa ou europeia — de onde copiar esses valores, e a única forma de os apresentar seria repescar recomendações abandonadas há mais de vinte anos.

O prejuízo de uma tabela dessas não é teórico: ela funciona como autorização para ignorar um valor que a norma classificaria como hipertensão, precisamente no grupo etário onde a doença é mais frequente e mais perigosa. Preferimos mostrar o que muda mesmo com a idade — a prevalência, o rastreio e o alvo de tratamento — e deixar a coluna do diagnóstico igual em todas as linhas, porque é isso que as fontes dizem.

Quais são os valores oficiais da tensão arterial em Portugal?

O Quadro 1 da Norma DGS n.º 001/2026 divide a pressão arterial em três categorias. Medida no gabinete médico, a classificação é esta:

<120/70
PA não elevada
120/70 a <140/90
PA elevada
≥140/90
Hipertensão

A categoria do meio é a novidade. Foi introduzida pelas guidelines da Sociedade Europeia de Cardiologia de outubro de 2024 (McEvoy e col., European Heart Journal), que substituíram a antiga gradação de 2018 — ótima, normal e normal-alta — por um único degrau intermédio chamado PA elevada. A ideia é identificar mais cedo quem tem risco cardiovascular aumentado e ainda não atingiu o limiar de hipertensão, para intervir no estilo de vida e, em pessoas com risco a 10 anos igual ou superior a 10%, ponderar também tratamento farmacológico.

Repare no que isto significa para quem procura «valores normais». O antigo 120/80, repetido durante duas décadas como sinónimo de tensão perfeita, já não cai na categoria mais baixa da norma portuguesa: 120/80 no gabinete é PA elevada, não PA não elevada.

Porque é que os valores mudam consoante o método de medição?

Porque a mesma pessoa dá números diferentes conforme o sítio onde é medida, e a norma corrige isso baixando os limiares fora do gabinete. Estar num consultório sobe a tensão de muita gente — daí que o valor que define hipertensão em casa seja mais baixo do que o valor que a define no médico.

O Quadro 1 da norma dá os cinco cenários, e a Tabela 5 das guidelines ESC 2024 coincide com ele linha a linha:

Método de medição PA não elevada PA elevada Hipertensão
Gabinete médico <120/70 120/70 a <140/90 ≥140/90
Auto-medição em casa <120/70 120/70 a <135/85 ≥135/85
MAPA — período diurno <120/70 120/70 a <135/85 ≥135/85
MAPA — período noturno <110/60 110/60 a <120/70 ≥120/70
MAPA — média de 24 horas <115/65 115/65 a <130/80 ≥130/80

MAPA é a monitorização ambulatória da pressão arterial: um aparelho automático que a pessoa leva durante 24 horas e que mede sozinho ao longo do dia e da noite, incluindo durante o sono.

Confundir os limiares é um erro com consequências práticas. Alguém que meça 138/86 em casa e compare esse valor com o número que ouviu no médico — 140/90 — conclui que está dentro da norma. Pelo limiar da auto-medição, 138/86 é hipertensão.

Hipertensão de grau 1, 2 e 3: onde ficam os valores acima de 140/90

Acima do limiar, os documentos europeus dividem a hipertensão em graus, e são esses graus que o médico usa para decidir a rapidez da resposta. A tradução portuguesa das Recomendações de Bolso ESC/ESH publicada pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia (Tabela 5) e as guidelines ESH 2023 mantêm esta escala:

Categoria Sistólica (mmHg) Diastólica (mmHg)
Hipertensão de grau 1 140–159 e/ou 90–99
Hipertensão de grau 2 160–179 e/ou 100–109
Hipertensão de grau 3 ≥180 e/ou ≥110
Hipertensão sistólica isolada ≥140 e <90

Na hipertensão sistólica isolada — máxima alta com mínima normal — o grau é dado pela sistólica: 165/88 é hipertensão sistólica isolada de grau 2. É o padrão mais frequente em idades avançadas, e basta esse número acima do limiar para o diagnóstico.

A ESC de 2024 deixou de usar os graus e ficou com as três categorias do Quadro 1; a Norma DGS segue a ESC. Os graus continuam úteis para ler o que a própria norma manda fazer com valores altos: entre 160–180/100–110 mmHg — grau 2 — sem sintomas, a reavaliação em consulta deve acontecer em menos de um mês; a partir de 180/100 mmHg, mesmo sem sintomas, o valor tem de ser confirmado na mesma avaliação e há que excluir emergência hipertensiva.

Em Portugal diz-se «tenho 14/9» ou «a tensão está a 12/8». É a mesma medida com a vírgula noutro sítio: 14/9 são 140/90 mmHg. A tabela traduz as leituras mais procuradas para a classificação da norma, medidas no gabinete médico.

Como se diz Em mmHg Categoria (gabinete, DGS 2026) O que fazer
9/5 90/50 PA não elevada; a norma não define «tensão baixa» por valor só conta se houver tonturas, desmaios ou quebras ao levantar — falar com o médico
10/6 100/60 PA não elevada nada, salvo sintomas
11/7 110/70 PA não elevada nada
12/8 120/80 PA elevada (o antigo «ideal» já não é a categoria mais baixa) estilo de vida; medir de novo no prazo do rastreio
13/8 130/80 PA elevada; na média de 24 h da MAPA já é hipertensão estilo de vida; confirmar em casa ou por MAPA
14/8 140/80 hipertensão pela sistólica confirmar com medições repetidas e consulta
14/9 140/90 hipertensão — é exatamente o limiar confirmar com medições repetidas e consulta
16/10 160/100 hipertensão (grau 2) consulta em menos de um mês, mesmo sem sintomas
18/11 180/110 hipertensão (grau 3) com sintomas: 112; sem sintomas: confirmar no próprio dia

Basta um dos dois números estar acima do limiar. As guidelines ESC 2024, que a norma portuguesa incorpora, definem hipertensão como sistólica ≥140 mmHg ou diastólica ≥90 mmHg — 150/85 é hipertensão pela máxima, 130/95 é hipertensão pela mínima. Uma mínima alta sozinha, a chamada hipertensão diastólica, conta tanto como qualquer outra.

O que significam o número de cima e o número de baixo?

O primeiro número é a pressão sistólica — a pressão nas artérias no momento em que o coração contrai e empurra o sangue. O segundo é a pressão diastólica, a que fica entre batimentos, com o coração relaxado. Em 140/90 mmHg, 140 é a sistólica e 90 a diastólica.

Em Portugal, muita gente chama-lhes tensão máxima e tensão mínima. Máxima é a sistólica, mínima é a diastólica. São os mesmos dois números, com nomes diferentes. E sim, tensão arterial e pressão arterial são a mesma coisa: ambos os termos são usados em português europeu, tanto pelas pessoas como pelos documentos clínicos.

Então o que muda mesmo com a idade?

Muda a probabilidade de ter a doença, e muda muito. Uma revisão sistemática com meta-análise publicada na Revista Portuguesa de Cardiologia em março de 2026 juntou os estudos de prevalência feitos em Portugal e encontrou esta distribuição:

Faixa etária Prevalência de hipertensão
15–34 anos 11% (IC 95%: 5–18%)
35–64 anos 44% (IC 95%: 39–50%)
≥65 anos 77% (IC 95%: 72–81%)

Na população adulta em geral, a prevalência foi de 31%, com 34% nos homens e 33% nas mulheres. Um pormenor dessa revisão vale por si: quando a tensão foi medida, a prevalência deu 38%; quando foi apenas perguntada às pessoas, deu 24%. A diferença entre estes dois números é gente com hipertensão que não sabe que a tem.

O Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, o INSEF de 2015, chegou a valores da mesma família: prevalência de 36% entre os 25 e os 74 anos, a subir de 12,1% no grupo dos 25 aos 44 anos até 71,3% no grupo mais idoso, e 39,6% nos homens. Nesse inquérito, 69,8% dos hipertensos sabiam da sua condição — mas só 44,7% no grupo dos 25 aos 44 anos. Dito de outra forma: entre os mais novos, mais de metade de quem tem hipertensão não sabe. Comparando com estudos anteriores — 42,1% no estudo PAP de 2003 e 42,2% no PHYSA de 2011-12 — a tendência portuguesa é de descida ligeira ao longo do tempo.

A segunda coisa que muda com a idade está escrita na própria norma, e não é um valor: é a frequência de rastreio. A DGS recomenda avaliar a pressão arterial pelo menos de três em três anos nos adultos com menos de 40 anos, e todos os anos a partir dos 40.

Qual é a tensão normal aos 40, 50, 60 ou 70 anos?

É a mesma em todas essas idades: abaixo de 140/90 mmHg no gabinete não se faz diagnóstico de hipertensão, e abaixo de 120/70 mmHg a norma classifica a pressão como não elevada.

Não há uma linha diferente para os 50 anos e outra para os 70.

O que a idade acrescenta é contexto, não tolerância. Aos 70 anos, a probabilidade de um valor alto ser mesmo hipertensão instalada é muito maior do que aos 30, porque três em cada quatro pessoas desse grupo etário em Portugal têm a doença. Isso é um argumento para medir com mais frequência e confirmar mais depressa — não para aceitar o valor como normal para a idade.

A idade é um fator de risco reconhecido para desenvolver hipertensão arterial, a doença de que esta classificação trata. A norma inclui-a entre os fatores não modificáveis, ao lado da genética e da história familiar, em contraste com os modificáveis — sal, peso, sedentarismo, álcool e tabaco. Ser um fator de risco e ser uma justificação são coisas diferentes: a idade explica porque a tensão sobe, não torna aceitável que suba.

Homens e mulheres têm valores normais diferentes?

Não. As guidelines ESC 2024 tratam o sexo como uma dimensão transversal de todo o documento — a lesão de órgão-alvo pode ter perfis diferentes, e a hipertrofia do ventrículo esquerdo é mais frequente nas mulheres —, mas não propõem pontos de corte diferentes: 140/90 mmHg no gabinete para ambos. A Norma DGS n.º 001/2026 também não distingue.

O que difere entre sexos é, outra vez, a frequência da doença e o que se faz com ela. Na meta-análise portuguesa de 2026 a diferença é pequena — 34% nos homens, 33% nas mulheres. No INSEF 2015, a prevalência nos homens foi de 39,6%, acima da das mulheres, enquanto o conhecimento da doença e a toma de medicação foram mais elevados nas mulheres. Na Europa, em 2019, a hipertensão afetava 41% dos homens e 36% das mulheres.

A idade muda os alvos do tratamento?

Aqui sim, e é o único ponto onde a idade aparece associada a números. O alvo terapêutico recomendado pela Norma DGS n.º 001/2026 e pelas guidelines ESC 2024 é uma pressão sistólica de 120–129 mmHg — a norma acrescenta uma diastólica de 70–79 mmHg —, medida preferencialmente fora do gabinete, por auto-medição ou MAPA.

Esse alvo não se aplica de forma generalizada a pessoas com fragilidade e/ou com 85 anos ou mais que apresentem hipotensão ortostática sintomática antes do tratamento, a pessoas com esperança de vida inferior a três anos, ou com risco elevado de morte não cardiovascular, incluindo doença renal crónica grave. Nesses casos aplica-se o princípio ALARA — as low as reasonably achievable, a pressão mais baixa que for razoavelmente possível atingir sem causar problemas.

As guidelines ESH 2023, da Sociedade Europeia de Hipertensão, são mais brandas com a idade e é daí que vêm muitos dos números «por idade» que se leem por aí: alvo abaixo de 130/80 mmHg até aos 64 anos; entre os 65 e os 79, abaixo de 140/80, e abaixo de 130/80 se o tratamento for bem tolerado; a partir dos 80, sistólica entre 140 e 150 mmHg, com início de fármacos só quando a sistólica chega aos 160. Repare que mesmo o documento mais tolerante mantém o limiar de diagnóstico nos 140/90 mmHg dos 18 aos 79 anos.

Note a diferença entre as duas coisas. Isto é um alvo de tratamento, para pessoas já diagnosticadas e já medicadas, decidido caso a caso por um médico. Não é um limiar de diagnóstico, e muito menos uma tabela de valores normais por idade. Continua a não existir idade a partir da qual 150/95 passe a ser normal.

A hipotensão ortostática referida acima tem definição própria na norma: uma descida de 20 mmHg ou mais na sistólica, e/ou de 10 mmHg ou mais na diastólica, entre o primeiro e o terceiro minuto depois de a pessoa passar de sentada ou deitada para de pé. É uma das razões pelas quais baixar a tensão a toda a força, em pessoas muito idosas e frágeis, pode fazer mais mal do que bem.

A classificação da norma aplica-se à gravidez?

Esta página não cobre a gravidez. A Norma DGS n.º 001/2026 aplica-se a pessoas com 18 ou mais anos e exclui expressamente as grávidas do seu âmbito: os limiares e os alvos explicados aqui não servem para ler a tensão arterial de uma grávida.

Na gravidez, a vigilância da tensão segue regras próprias, com critérios de decisão e periodicidade diferentes, e pertence ao médico ou ao obstetra que acompanha a gestação. Se mede a tensão em casa durante a gravidez, leve os valores a essa consulta em vez de os comparar com a classificação desta página.

Que valores não esperam por consulta marcada

A Norma DGS n.º 001/2026 define emergência hipertensiva como uma pressão arterial igual ou superior a 180/110 mmHg acompanhada de disfunção aguda de órgão-alvo, habitualmente com sintomas: dores de cabeça súbitas e fora do habitual, alterações da visão, dor no peito, falta de ar, tonturas, perda de força ou fala arrastada. Nessa situação a indicação é o serviço de urgência hospitalar, não uma consulta na semana seguinte. O que distingue esta situação de uma tensão simplesmente alta está explicado em quando é preciso ir para a urgência.

Perante estes sinais, ligue 112. A chamada é gratuita e as situações de emergência médica são passadas ao CODU, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM, onde médicos, enfermeiros e técnicos de emergência atendem 24 horas por dia e decidem os meios a enviar.

Com um valor igual ou superior a 180/100 mmHg e nenhum destes sinais, o caminho é outro: confirmar o valor com medições repetidas no próprio dia e contactar o centro de saúde ou a Linha SNS 24 — 808 24 24 24, atendimento clínico 24 horas, ao preço de uma chamada local —, que faz a triagem e encaminha para o nível de cuidados certo.

Note que o valor da norma portuguesa é 180/110 mmHg. O número 180/120, que se lê em muitos sites em português, vem das guidelines norte-americanas da American Heart Association e não é o que a DGS usa. Se está a comparar o seu valor com um limiar lido na internet, confirme de que país é o limiar.

Tirando esse cenário, a doença corre calada quase sempre. Foi por isso que a Organização Mundial da Saúde lhe chamou assassino silencioso no relatório global de 2023, e é por isso que a estratégia recomendada passa por rastrear em vez de esperar por queixas. Sentir-se bem não é informação sobre a sua tensão arterial. Só o valor medido é. Sobre o que as pessoas costumam sentir, e o que isso quer dizer mesmo, veja o que se sente com a tensão alta.

Um valor alto numa única medição já é hipertensão?

Não. O diagnóstico não se faz com uma leitura isolada, e a norma é explícita sobre o que fazer a seguir. Uma pressão arterial igual ou superior a 180/100 mmHg, mesmo sem sintomas, deve ser confirmada com medições adicionais na mesma avaliação clínica, excluindo emergência hipertensiva. Quando a suspeita não puder ser confirmada de imediato, a pessoa deve ser reavaliada em consulta a curto prazo: em menos de três meses no caso geral, ou em menos de um mês se a pressão estiver entre 160–180/100–110 mmHg.

Há ainda dois padrões que baralham quem mede em casa e que a norma define com precisão. Na hipertensão da bata branca, a pressão está acima de 140/90 mmHg no gabinete mas normal em ambulatório — abaixo de 135/85 na auto-medição ou de 130/80 na MAPA de 24 horas. Na hipertensão mascarada acontece o inverso: valores normais no gabinete e elevados em casa. É por isso que um único valor, medido num único sítio, não decide nada.

Classificar uma leitura numa das três categorias da norma não é a mesma coisa que ter hipertensão diagnosticada: isso exige confirmação, avaliação de risco cardiovascular global e, por vezes, exclusão de causas secundárias — tudo trabalho de um médico com o seu histórico à frente. Esta página não faz diagnóstico nem indica tratamento, medicamento ou suplemento. Serve para interpretar um valor que já mediu e para saber se justifica marcar consulta, com a classificação oficial portuguesa em vigor, a fonte e a data ao lado de cada número, os alvos de tratamento das três recomendações europeias e portuguesas em vigor e os dados de prevalência que explicam a relação real entre idade, sexo e tensão arterial.

Quando medir a tensão e como: o protocolo da DGS em oito passos

Mede-se pelo menos de três em três anos antes dos 40 anos e todos os anos a partir dos 40, segundo a Norma DGS n.º 001/2026; quem já tem diagnóstico segue a periodicidade do seu médico. Pode fazê-lo no centro de saúde, numa farmácia ou em casa com um aparelho validado — e é em casa que os números pesam mais, porque a norma prefere valores medidos fora do gabinete para acompanhar o tratamento. O procedimento oficial (ponto 4 da norma) é este:

  1. Nos 30 minutos anteriores, nada de café, tabaco nem exercício físico.
  2. Bexiga vazia e pelo menos 5 minutos sentado, em local calmo.
  3. Sentado com as costas encostadas, pernas descruzadas e pés no chão.
  4. Braço apoiado, sem roupa, com a braçadeira ao nível do coração e do tamanho certo para o braço.
  5. Aparelho validado e calibrado — a norma remete para a lista internacional STRIDE BP e para os dispositivos registados no INFARMED.
  6. Pelo menos 3 medições, com 1 a 2 minutos de intervalo; se duas diferirem mais de 10 mmHg, medir de novo. Conta a média das duas últimas.
  7. Na primeira vez, medir nos dois braços e passar a usar sempre o braço que deu o valor mais alto.
  8. Registar os valores — a norma recomenda a aplicação SNS 24 sempre que a pessoa tenha telemóvel compatível, para que o médico de família os veja.

Um valor de casa só se compara com o limiar de casa: 135/85 mmHg, não 140/90. Se a diferença entre o gabinete e a sala de estar for grande, é o próprio médico que decide entre repetir em auto-medição durante uma semana ou pedir uma MAPA de 24 horas.

Porque é que estes números importam mais do que parecem

Porque a relação entre valores e risco é contínua e conhecida há décadas. O Prospective Studies Collaboration Group publicou em 2002, na The Lancet, a análise que ainda hoje é citada pela norma portuguesa: em pessoas dos 40 aos 69 anos, por cada aumento de 20 mmHg na pressão sistólica ou de 10 mmHg na diastólica, o risco de doença cardíaca isquémica ou de AVC fatais duplica.

Do lado inverso, as meta-análises citadas na mesma norma sobre tratamento com anti-hipertensores mostram que, por cada redução de 10 mmHg na sistólica, se observa menos 25% de eventos cardiovasculares, menos 35% de AVC e menos 20% de mortalidade cardiovascular — com benefício semelhante entre as várias classes de fármacos.

Os estudos INTERHEART e INTERSTROKE puseram número no peso da hipertensão: 17,9% do risco populacional atribuído ao enfarte do miocárdio, 34,6% ao AVC.

Em Portugal isto não é abstrato. A hipertensão é o fator de risco cardiovascular mais frequente na Europa, e o país está entre os europeus com maior mortalidade por doenças cérebro-cardiovasculares: em 2021 morreram 9 613 pessoas por doenças cérebro-vasculares e 6 683 por doença isquémica cardíaca. Se os seus valores estão acima do limiar, a pergunta seguinte é o que fazer com eles — e antes de tudo o resto há um conjunto de medidas de estilo de vida cujo efeito já foi medido em mmHg: veja como baixar a tensão arterial.

≥140/90 mmHg
define hipertensão no gabinete, em qualquer adulto dos 18 aos 100 anos
<120/70 mmHg
é o intervalo que a norma portuguesa classifica como PA não elevada
77%
é a prevalência de hipertensão em Portugal a partir dos 65 anos

Fontes utilizadas 11

  1. Direção-Geral da Saúde — Norma n.º 001/2026, de 04/03/2026, «Abordagem diagnóstica e terapêutica da pessoa com hipertensão arterial» — Quadro 1, rastreio, protocolo de medição, alvos terapêuticos, emergência hipertensiva; inclui as citações de Prospective Studies Collaboration/The Lancet 2002, INTERHEART e INTERSTROKE e os dados de mortalidade INE 2021.
  2. McEvoy JW e col. — 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension, European Heart Journal 2024;45(38):3912-4018, DOI 10.1093/eurheartj/ehae178 — Tabela 5, categoria «PA elevada», alvo 120–129 mmHg, exceções ≥85 anos e fragilidade, ausência de limiares por sexo.
  3. Mancia G, Kreutz R, Brunström M e col. — 2023 ESH Guidelines for the management of arterial hypertension, Journal of Hypertension 2023;41(12):1874-2071, DOI 10.1097/HJH.0000000000003480; limiares e alvos por idade lidos na comparação de acesso aberto de Vemu PL, Yang E, Ebinger JE, «Moving Toward a Consensus: Comparison of the 2023 ESH and 2017 ACC/AHA Hypertension Guidelines», JACC: Advances 2024;3(10):101230, DOI 10.1016/j.jacadv.2024.101230.
  4. Sociedade Portuguesa de Cardiologia — Recomendações de Bolso ESC/ESH para o Tratamento da Hipertensão Arterial (tradução portuguesa das guidelines ESC/ESH 2018, DOI 10.1093/eurheartj/ehy339), Tabela 5 — graus de hipertensão.
  5. «Hypertension prevalence in Portugal: a systematic review and meta-analysis» — Revista Portuguesa de Cardiologia, vol. 45 n.º 3, mar. 2026, pp. 149-162, DOI 10.1016/j.repc.2025.11.008 — prevalência por idade e por sexo.
  6. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge — INSEF 2015, prevalência de hipertensão arterial em Portugal (Boletim Epidemiológico Observações, 08/08/2017) — 36%, 39,6% nos homens, conhecimento da doença por idade.
  7. Organização Mundial da Saúde — Global report on hypertension: the race against a silent killer (2023).
  8. INEM — CODU, Centro de Orientação de Doentes Urgentes — encaminhamento das chamadas 112 de emergência médica, equipas 24 horas.
  9. Serviço Nacional de Saúde — Linhas de atendimento gerais: SNS 24, 808 24 24 24 — triagem e encaminhamento, atendimento clínico 24 horas.
  10. STRIDE BP — listagem internacional de aparelhos de medição validados, referenciada pela Norma DGS.
  11. Badila E — «2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension — How practical is it for clinical practice?», International Journal of Cardiology: Cardiovascular Risk and Prevention 2024, DOI 10.1016/j.ijcrp.2024.200341 — definição «sistólica ≥140 mmHg ou diastólica ≥90 mmHg».

Perguntas frequentes

Qual é a tensão arterial normal?

Abaixo de 120/70 mmHg no gabinete médico, segundo a Norma DGS n.º 001/2026 e as guidelines ESC 2024. Entre 120/70 e 140/90 a classificação é PA elevada, e a partir de 140/90 fala-se de hipertensão. Em casa, o limiar de hipertensão é 135/85 mmHg. Estes valores valem para qualquer adulto com 18 ou mais anos, homem ou mulher.

Existe uma tabela de tensão arterial por idade em Portugal?

Não existe nenhuma tabela oficial com valores normais diferentes por idade. A Norma DGS n.º 001/2026 aplica 140/90 mmHg a todos os adultos. O que existe por idade é outra coisa: a prevalência da doença (11% dos 15 aos 34 anos, 44% dos 35 aos 64, 77% a partir dos 65), a frequência de rastreio (de 3 em 3 anos antes dos 40, anual depois) e, nas guidelines ESH 2023, alvos de tratamento mais brandos a partir dos 65 e dos 80 anos — tudo reunido na tabela desta página.

13/8 é uma tensão normal?

«13 por 8» corresponde a 130/80 mmHg. Medido no gabinete, esse valor cai na categoria PA elevada, entre 120/70 e 140/90 — não é hipertensão, mas também já não é o intervalo mais baixo da classificação. Medido pela MAPA de 24 horas, 130/80 já é o limiar de hipertensão. E 14/9, ou 140/90 mmHg, é exatamente o limiar de hipertensão no gabinete.

A tensão mínima alta, sozinha, é hipertensão?

É. Basta um dos dois números: as guidelines ESC 2024 definem hipertensão como sistólica ≥140 mmHg ou diastólica ≥90 mmHg no gabinete. Uma leitura de 128/94 é hipertensão pela mínima — a chamada hipertensão diastólica — mesmo com a máxima dentro da categoria elevada. Como em qualquer leitura, confirma-se com medições repetidas e em consulta.

Qual é a tensão arterial normal aos 70 anos ou nos idosos?

A mesma que aos 30: o limiar de hipertensão continua a ser 140/90 mmHg no gabinete e 135/85 em casa. Aos 70 anos muda a probabilidade de ter a doença — 77% das pessoas com 65 ou mais anos em Portugal são hipertensas — e a recomendação de medir todos os anos. Só em quem já toma medicação a idade altera um número: a ESH 2023 aceita como alvo valores abaixo de 140/80 entre os 65 e os 79 anos e uma sistólica de 140–150 a partir dos 80; a DGS e a ESC preferem 120–129, com exceção a partir dos 85 anos e na fragilidade.

9/5 é tensão baixa?

«9 por 5» são 90/50 mmHg. Pela classificação da norma é PA não elevada, e a Norma DGS n.º 001/2026 não define nenhum valor a partir do qual a tensão seja «baixa». O que a norma define é a hipotensão ortostática — uma descida de 20 mmHg ou mais na máxima, ou de 10 ou mais na mínima, ao pôr-se de pé — e essa é a situação que justifica consulta. Se 90/50 vem acompanhado de tonturas, desmaios ou cansaço fora do habitual, fale com o médico de família; sem sintomas, a norma não o trata como doença.