Como trabalhamos
Todas as afirmações com números neste site saem de um documento identificável, e esse documento é escolhido por uma ordem fixa: primeiro a norma nacional e as recomendações das sociedades científicas, depois as revisões sistemáticas, depois os reguladores, e só no fim as fontes comerciais — e essas apenas para preços. Esta página descreve essa ordem e mostra o que ela nos obriga a escrever mesmo quando o resultado é desagradável.
Por que ordem escolhemos as fontes
| Nível | O que é | Para que serve aqui |
|---|---|---|
| 1 | Norma da Direção-Geral da Saúde em vigor; recomendações da Sociedade Europeia de Cardiologia | Valores de referência, limiares, protocolos, alvos de tratamento |
| 2 | Revisões Cochrane e meta-análises indexadas na PubMed, com DOI ou PMID | Quanto é que uma substância mediu, em quantos ensaios, com que intervalo de confiança |
| 3 | Reguladores: INFARMED, EMA, EFSA, registo europeu de alegações de saúde | O que é medicamento e o que é suplemento; que alegações são permitidas |
| 4 | Folhetos informativos e rótulos dos produtos | Composição declarada, dose por cápsula, avisos do fabricante |
| 5 | Farmácias e lojas online portuguesas | Preços, sempre com a data em que foram vistos |
| 6 | Imprensa, portais de saúde, comunicados | Nunca como fonte única; só para confirmar algo que já está nos níveis acima |
Uma regra prática decorre daqui: se um número só existe no nível 6, não entra. Já aconteceu descartarmos afirmações interessantes por não termos conseguido chegar ao estudo original.
Quando a fonte primária está atrás de paywall, dizemo-lo na página em vez de fingir que a lemos. Foi o caso de uma revisão Cochrane cujo texto integral está fechado: usámos o resumo publicado pela própria Cochrane e confirmámos os valores em bases independentes, e essa limitação está registada.
Como assinalamos evidência fraca
Um resultado fraco descrito com as mesmas palavras de um resultado sólido é uma forma silenciosa de mentir. Escrevemos sempre quantos ensaios e quantos participantes sustentam um número, e dizemos quando o intervalo de confiança atravessa o zero — isto é, quando o efeito pode simplesmente não existir.
Dois exemplos reais, das nossas próprias páginas.
Espinheiro-alvar. A única revisão Cochrane sobre esta planta — Guo, Pittler e Ernst, 2008, referência CD005312.pub2 — reuniu 10 ensaios com 855 doentes, e todos eles eram doentes de classes NYHA I-III — ou seja, insuficiência cardíaca crónica. Insuficiência cardíaca não é hipertensão: são doenças diferentes, com doentes diferentes. Citar essa revisão para sustentar uma frase sobre tensão alta seria trocar uma indicação por outra. A meta-análise que realmente olhou para a tensão é de 2025, junta 6 ensaios e 428 participantes, mediu −6,65 mmHg na sistólica e −7,19 mmHg na diastólica — e este segundo valor não tem significado estatístico, com um intervalo entre −15,17 e +0,79. Os próprios autores classificam o resultado como promissor e não conclusivo. É assim que está escrito nas nossas páginas.
Coenzima Q10. A revisão Cochrane CD007435.pub3, com atualização datada de 3 de março de 2016, localizou três ensaios e conseguiu juntar apenas dois, com 50 participantes no total; o terceiro ficou de fora por enviesamento elevado. O resultado foi −3,68 mmHg na sistólica, sem significado estatístico, e a conclusão dos autores é explícita: não há efeito clinicamente relevante na pressão arterial. Existem outras revisões com números mais animadores, e nós dizemos que existem — e explicamos donde vem a diferença: essas revisões deixam entrar ensaios sem ocultação, com risco de viés elevado, e a mais citada delas mediu noutro tipo de doentes.
Um resultado negativo é um resultado. Publicamo-lo com a mesma naturalidade com que publicamos um positivo, e é por isso que existe no site uma página inteira sobre a coenzima Q10 que conclui contra o produto.
O que recusamos fazer
- Autores fictícios. Nenhum texto é assinado por um profissional que não exista, nem com credenciais que não possamos comprovar.
- Descontos inventados. Não reproduzimos preços riscados nem percentagens de desconto de página nenhuma, incluindo daquelas para onde ligamos. Registamos o preço praticado e a data em que o vimos.
- Avaliações não verificáveis. Não publicamos testemunhos, estrelas nem histórias de leitores. Não temos forma de os confirmar e ninguém tem.
- Alegações proibidas. O Regulamento (UE) 1924/2006 fixa os limites da linguagem permitida a alimentos e suplementos. Frases do género «trata a causa da hipertensão» ou «estabiliza os valores em duas semanas» não são repetidas por nós, mesmo quando constam do material do vendedor.
- Percentagens sem estudo. Números do tipo «97 % dos utilizadores» sem referência a um ensaio publicado ficam de fora.
Como corrigimos erros
Erros acontecem, e a diferença está no que se faz a seguir. Quando um dado se revela errado, a correção é feita no corpo da página, não numa nota escondida, e fica indicada a data em que foi feita. Se a alteração muda a conclusão, dizemos o que estava escrito antes.
No topo de cada página fica a data em que foi publicada e, havendo, a da revisão mais recente. Numa área em que as recomendações mudam — a norma que hoje vale em Portugal é de março de 2026 e mexeu em classificações que vinham de trás —, uma página sem data vale pouco.
Quem encontrar um erro pode escrever para o endereço de revisão indicado em contactos. Indicar a página e, se possível, a fonte contrária acelera muito o processo.
A nossa relação com quem vende
O Tensão em Dia ganha dinheiro com ligações de afiliação: algumas páginas remetem para vendedores e uma compra feita por essa via pode gerar comissão. O leitor paga o mesmo.
Isto cria um conflito de interesses real e não desaparece por ser declarado. O que fazemos para o limitar é concreto e verificável no próprio conteúdo: comparamos sempre os suplementos com aquilo que a alimentação e o exercício já conseguem sem custo de compra; escrevemos quando a dose de um produto não é revelada, e isso vale para produtos com que possamos ter relação comercial; mantemos páginas cuja conclusão é «não compensa». Se alguma vez uma dessas regras entrar em conflito com um pagamento, é o pagamento que cai.
Não aceitamos textos escritos por marcas, nem publicidade paga por colocação, nem alteramos uma conclusão a pedido de um vendedor.
Fontes
Os documentos referidos nos exemplos acima, para quem os quiser abrir:
- Norma n.º 001/2026 da Direção-Geral da Saúde, de 04-03-2026, sobre abordagem diagnóstica e terapêutica da hipertensão arterial: https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0012026-de-04032026-abordagem-diagnostica-e-terapeutica-da-pessoa-com-hipertensao-arterial.aspx
- Guo R, Pittler MH, Ernst E. "Hawthorn extract for treating chronic heart failure". Cochrane Database of Systematic Reviews, 2008, CD005312.pub2: https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD005312.pub2/abstract
- Meta-análise sobre Crataegus e hipertensão. Pharmaceuticals (MDPI), 2025 — 6 ensaios, 428 participantes: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12298042/
- Ho MJ, Bellusci A, Wright JM. "Blood pressure lowering efficacy of coenzyme Q10 for primary hypertension". Cochrane Database of Systematic Reviews, CD007435.pub3, atualizada a 03.03.2016: https://www.cochrane.org/evidence/CD007435_coenzyme-q10-high-blood-pressure
Página publicada a 27 de agosto de 2026.
Leitura, não consulta. O Tensão em Dia publica informação; não presta cuidados de saúde. Nenhuma das nossas páginas diagnostica seja quem for nem justifica mexer em medicação sem falar antes com o médico assistente. Havendo valores muito elevados acompanhados de sintomas, o caminho é o 112; para dúvidas sem urgência existe a Linha SNS 24, número 808 24 24 24.
Sobre comissões. Há ligações neste site que rendem uma percentagem ao projeto quando alguém compra do outro lado. Quem compra não paga mais por isso, e esse dinheiro não compra elogios: o texto seria exatamente o mesmo sem ele. Explicação detalhada em aviso legal.