Tensão em Dia
Atualizado: 27 de agosto de 2026
6 fontes citadas

Causas da tensão alta: o que faz a tensão subir

Resposta curta: na maioria dos casos a tensão alta não tem uma causa única. Chama-se hipertensão primária e resulta da soma de vários fatores — sal a mais, excesso de peso, álcool, pouco exercício, tabaco — com dois que ninguém escolhe: a idade e a história familiar. Numa minoria dos casos existe uma causa concreta, capaz sozinha de explicar a subida: apneia do sono, doença renal, alterações hormonais. A essa chama-se hipertensão secundária, e é a que o médico procura ativamente antes dos 40 anos. Há ainda uma terceira via, quase sempre esquecida: medicamentos de uso corrente, incluindo anti-inflamatórios e descongestionantes nasais que se compram sem receita.

Os números e as listas desta página vêm da Norma DGS n.º 001/2026, documento nacional em vigor desde março de 2026, e de estudos identificados um a um ao lado de cada facto. Os valores que definem a doença, e o que fazer com eles, estão na classificação oficial e no que fazer com cada valor.

30%
da hipertensão a nível mundial é atribuível ao excesso de sódio (OMS)
40 anos
idade abaixo da qual a norma manda investigar causa secundária
5%
das mulheres que tomam contracetivos hormonais ficam hipertensas

Hipertensão primária e secundária: qual é a diferença?

Hipertensão secundária é a hipertensão que tem uma causa etiológica conhecida, capaz por si só de ser responsável pelo aparecimento da doença — é assim que a norma portuguesa a define. Tratada essa causa, a tensão pode acompanhar.

Hipertensão primária, também chamada essencial, é a forma mais comum e não tem uma causa única identificável. Nasce do somatório de hábitos que se podem alterar — quanto sal entra na comida, quanto a pessoa pesa, quanto bebe, quanto se mexe, se fuma — com duas variáveis fixas: os anos que tem e a carga que traz de família.

A distinção não é académica.

Muda o que faz sentido investigar, muda os exames que o médico pede e muda a expectativa realista: numa causa secundária procura-se a origem; na primária gere-se um conjunto de riscos que se somam ao longo de décadas.

O que entra na conta da hipertensão primária

A norma portuguesa não publica uma lista de «causas» com percentagens. Publica outra coisa, mais útil: as intervenções de estilo de vida com efeito reconhecido na prevenção e no tratamento, cada uma com um limiar concreto. Lidas ao contrário, são o retrato dos fatores que empurram a tensão para cima.

Fator Limiar indicado pela norma Modificável
Sódio (sal) consumo abaixo de 5 g de sal por dia sim
Potássio a menos mais fruta e legumes, salvo doença renal moderada ou grave sim
Padrão alimentar tipo mediterrânico; açúcar abaixo de 10% das calorias sim
Álcool abaixo de 100 g por semana; preferível suspender sim
Inatividade 150 min/semana moderados ou 75 min/semana vigorosos sim
Excesso de peso IMC entre 20 e 25; cintura <94 cm (homem), <80 cm (mulher) sim
Tabaco cessação, incluindo cigarro eletrónico e fumo passivo sim
Idade não
História familiar não

Uma nota que costuma surpreender: o café não está do lado dos culpados. O documento oficial diz que bebê-lo não aparece ligado a maior risco cardiovascular. As bebidas que manda evitar são as energéticas, pela mistura de cafeína com taurina.

Quanto é que o sal pesa mesmo?

Cerca de 30% da prevalência de hipertensão a nível mundial é atribuível ao excesso de sódio na alimentação, segundo a ficha da Organização Mundial da Saúde sobre redução de sódio. É o maior fator isolado e evitável identificado à escala populacional.

O tamanho do desvio explica o resto. A recomendação fica abaixo dos 5 g diários de sal, o equivalente a 2000 mg de sódio — grosso modo, uma colher de chá. O consumo médio no mundo rondava, em 2021, os 4278 mg de sódio por dia — em sal, praticamente 11 g, mais de duas vezes o limite. Ao excesso a OMS atribui 1,7 milhões de mortes em 2023.

Que a relação é de causa e não de coincidência vê-se pelo sentido inverso. A meta-análise da dieta DASH, saída em 2014 na revista Nutrition, Metabolism and Cardiovascular Diseases (PMID 25149893), cruzou dados de 17 ensaios aleatorizados com 2561 participantes: trocar o padrão alimentar valeu 6,74 mmHg de sistólica e 3,54 mmHg de diastólica.

Retirar o fator faz descer o valor.

Há ainda o lado que raramente se conta: não é só sódio a mais, é potássio a menos. A norma recomenda, em quem não tem doença renal moderada ou grave e consome muito sódio, aumentar fruta e legumes e ponderar sal enriquecido em potássio, com vigilância analítica dos valores no sangue. Detalhámos que alimentos entram nessa conta noutra página.

O peso e a barriga contam?

Contam, e a norma trata os dois em separado: um índice de massa corporal na faixa dos 20 aos 25 kg/m², e uma cintura que fique aquém dos 94 cm nos homens e dos 80 cm nas mulheres. Não é só o número da balança — é também onde o peso se acumula.

O excesso de peso volta a aparecer noutro sítio da norma, entre os fatores associados a hipertensão que não responde ao tratamento, ao lado do sedentarismo, do excesso de sal e do álcool.

E há uma associação específica que vale por si: abaixo dos 40 anos, com obesidade associada à tensão alta, a apneia obstrutiva do sono tem de ser procurada logo em primeira linha. Aqui já não estamos perante um fator de risco difuso, mas perante uma causa concreta a excluir.

Quanto álcool faz subir a tensão?

O álcool provoca uma subida sustentada da tensão arterial, dependente da dose — é o que consta do Anexo III, na mesma lista onde estão os fármacos que elevam a pressão. Não é um pico passageiro: é um efeito que se mantém enquanto o consumo se mantém.

O limite indicado são 100 g por semana, e o próprio documento traduz isso em bebidas do dia a dia: 200 ml de cerveja diários, ou então 50 ml de vinho. Acrescenta que o preferível é suspender por completo.

Falta de exercício é causa ou só falta de hábito?

O exercício aeróbico regular está entre as intervenções com efeito reconhecido na tensão: pelo menos 150 minutos por semana de intensidade moderada, repartidos por 5 a 7 dias, ou 75 minutos semanais de intensidade vigorosa, mais treino de resistência de intensidade baixa a moderada duas a três vezes por semana.

A dimensão do efeito está medida. Segundo a fundamentação científica do documento da DGS, juntar alimentação a exercício chega a valer perto de 10 mmHg de sistólica e 6 mmHg de diastólica — o suficiente, em muitos casos de «tensão elevada», para não ser preciso mais nada. Reunimos o que fazer com esta informação numa página à parte.

O stress causa tensão alta?

A norma portuguesa em vigor não inclui a gestão do stress na lista das medidas de estilo de vida com efeito reconhecido sobre a tensão arterial. Essa lista tem nove alíneas — sal, potássio, padrão alimentar, álcool, exercício, peso, tabaco, fumo ambiental e bebidas — e o stress não é uma delas. O stress também não aparece entre as causas de hipertensão secundária a investigar.

Isto não significa que viver sob pressão seja indiferente ao coração. Significa uma coisa mais estreita e mais honesta: não há, nas fontes que usamos nesta página, um número que diga «o stress crónico sobe a tensão em tantos mmHg», ao contrário do que existe para o sal, para o álcool ou para o peso.

Documentados estão dois efeitos. Um é agudo e dá-se no momento em que se mede: a ansiedade empurra a leitura para cima, e esse fenómeno tem nome clínico próprio, hipertensão da bata branca. O outro é indireto e vem pelas companhias frequentes dos períodos difíceis — o álcool e os estimulantes como o modafinil, as anfetaminas e o metilfenidato constam todos da lista oficial de substâncias que sobem a tensão.

A ansiedade e os nervos fazem subir a tensão?

Fazem subir a leitura, e isso está descrito com nome próprio. Chama-se hipertensão da bata branca ao padrão em que o consultório acusa 140/90 mmHg ou mais e as medições feitas fora dele ficam dentro do normal: menos de 135/85 mmHg em auto-medição, menos de 130/80 mmHg na média das 24 horas da MAPA. É o retrato de quem sente a tensão disparar mal alguém de bata se aproxima com a braçadeira.

O fenómeno da bata branca aparece também noutra lista da norma: a das causas de pseudo-resistência, ou seja, das razões pelas quais uma tensão parece não responder ao tratamento sem que isso seja verdade. Ao lado dela estão a má adesão à terapêutica e o procedimento incorreto de medição.

Daí a insistência do protocolo oficial em condições que de clínicas têm pouco: meia hora sem café e sem tabaco, cinco minutos sentado a descansar antes de carregar no botão, bexiga vazia, costas apoiadas, pernas por cruzar. Metade destas regras existe precisamente para separar a tensão da pessoa do estado em que a pessoa está naquele minuto.

Há ainda um dado que ajuda a fixar a diferença entre acalmar e baixar a tensão. Num ensaio aleatorizado de 12 semanas, controlado por placebo, em doentes com diabetes tipo 2 e depressão, a suplementação com Melissa officinalis reduziu de forma significativa os scores de ansiedade e depressão — e não encontrou diferença nenhuma na pressão arterial (PMC10152712). Baixar a ansiedade e baixar a tensão são resultados diferentes, e podem não vir juntos.

Quem mede a tensão em pleno episódio de ansiedade e encontra um valor alto tem uma coisa simples a fazer antes de tirar conclusões: repetir a medição ao fim de cinco minutos de repouso. Se a leitura se mantiver em 180/110 mmHg ou acima e houver dor no peito, falta de ar, alterações da visão ou perda de força, já não é caso para atribuir aos nervos — é caso para ligar 112.

A tensão alta é hereditária?

A história familiar está do lado dos fatores não modificáveis da hipertensão primária, a par da idade — é o que consta da norma portuguesa. Ter pais ou irmãos hipertensos não determina o diagnóstico, mas soma-se aos restantes fatores e antecipa a altura em que convém começar a medir com regularidade.

O que a norma não faz é atribuir uma percentagem à genética, e nós também não a inventamos. Nas fontes usadas aqui não existe um número para o peso da hereditariedade em Portugal.

Uma coisa é certa e verificável: a carga familiar não altera o valor que define a doença. O limiar diagnóstico é ≥140/90 mmHg no consultório para todos os adultos, com ou sem antecedentes na família.

Porque é que a tensão sobe com a idade?

Porque a probabilidade de ter a doença cresce, não porque o valor normal mude. A meta-análise saída em março de 2026 na Revista Portuguesa de Cardiologia (DOI 10.1016/j.repc.2025.11.008) mediu quantos portugueses são hipertensos em cada fase da vida:

Faixa etária Hipertensos Intervalo de confiança 95%
15-34 anos 11% 5% a 18%
35-64 anos 44% 39% a 50%
65 anos ou mais 77% 72% a 81%

Dos mais novos até à terceira idade, a probabilidade multiplica-se por sete.

No conjunto dos adultos, o mesmo trabalho aponta 31%, sem diferença relevante entre sexos.

O que a idade muda na prática é a periodicidade do rastreio: até aos 40 anos, a norma pede uma avaliação de três em três anos; a partir daí, uma por ano.

Que medicamentos e substâncias fazem subir a tensão?

Esta é a lista que quase ninguém mostra junta, e vive no Anexo III do documento da DGS. Vários destes produtos compram-se sem receita.

Fármaco ou substância O que a norma descreve
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) subida ligeira, dependente da dose
Paracetamol risco relativo de hipertensão aumentado com uso quase diário
Estrogénios e progestagénios +6/3 mmHg com doses altas; hipertensão em cerca de 5% das mulheres
Glucocorticoides elevação da pressão arterial
Ciclosporina e tacrolimus (inibidores da calcineurina) elevação da pressão arterial
Antidepressivos ISRN subida ligeira, cerca de 2/1 mmHg
Descongestionantes nasais (fenilefrina, pseudoefedrina) elevação da pressão arterial
Estimulantes (modafinil, anfetaminas, metilfenidato) elevação da pressão arterial
Agentes estimuladores da eritropoietina elevação da pressão arterial
Álcool subida sustentada e dependente da dose
Plantas: alcaçuz, hipericão, ioimbina, ginseng em dose alta, efedra elevação da pressão arterial
Anorexígenos (sibutramina, fenilpropanolamina) elevação da pressão arterial

Um comprimido para as dores tomado quase todos os dias é um suspeito legítimo quando a tensão sobe sem explicação nenhuma.

E «natural» não significa neutro: o hipericão e o alcaçuz estão nesta tabela exatamente pelo mesmo motivo que os corticoides.

Nada disto se resolve suspendendo medicação por conta própria. A lista serve para levar à consulta. Do outro lado da farmácia estão as classes que fazem descer a tensão, com regras próprias.

Quando é que o médico procura uma causa concreta?

A investigação de hipertensão secundária é obrigatória em três situações definidas pela norma: quem tem menos de 40 anos; quem mantém a tensão elevada apesar de tratamento otimizado; e quem apresenta sinais ou sintomas que apontem para uma origem concreta, incluindo o uso dos fármacos da tabela anterior.

Fora destas situações, a norma não manda investigar toda a gente. Numa doença que atinge 31% dos adultos portugueses, procurar uma causa rara em cada caso seria submeter muita gente a exames sem benefício.

Que causas secundárias existem e como se investigam?

O Quadro 2 da Norma DGS 001/2026 emparelha cada causa com o exame que a identifica. É a lista que o médico percorre quando decide investigar.

Causa secundária Exame indicado
Hiperaldosteronismo primário razão aldosterona/renina plasmática e potássio sérico
Hipertensão renovascular Doppler renal, angiografia por TC ou RM
Feocromocitoma e paraganglioma metanefrinas plasmáticas ou urinárias
Apneia obstrutiva do sono estudo polissonográfico
Doença renal parenquimatosa creatinina, ionograma, TFGe, albumina/creatinina urinária, ecografia renal
Síndrome de Cushing cortisol livre urinário 24h, prova de supressão com dexametasona
Patologia da tiroide TSH
Hiperparatiroidismo paratormona, cálcio e fósforo
Coartação da aorta ecocardiograma Doppler, angio-TC
Policitémia hemoglobina

Quem tem hipertensão secundária ou resistente deve ser referenciado para centros clínicos com experiência nesta área — a norma é explícita quanto a isso.

E se a tensão não desce apesar do tratamento?

Chama-se hipertensão resistente quando, mesmo com medidas de estilo de vida e doses máximas toleradas de um diurético, de um bloqueador do sistema renina-angiotensina-aldosterona e de um antagonista dos canais de cálcio, a tensão de consultório não desce abaixo de 140/90 mmHg.

Antes de aceitar essa etiqueta, a norma manda excluir pseudo-resistência: má adesão à terapêutica, fenómeno da bata branca, técnica de medição incorreta, inércia clínica ou calcificação da artéria braquial. Depois disso, procuram-se os fatores associados — excesso de peso, sedentarismo, sal e álcool em excesso, fármacos que sobem a tensão — e a hipertensão secundária.

A tensão alta é causa de quê?

A pergunta aparece muito nas pesquisas ao contrário — «a tensão alta causa AVC?» — e a resposta está quantificada. Nos estudos INTERHEART e INTERSTROKE, a fração de risco populacional atribuída à hipertensão foi de 34,6% no AVC e de 17,9% no enfarte agudo do miocárdio.

A ligação ao valor medido também tem número. Num trabalho do Prospective Studies Collaboration Group publicado no The Lancet em 2002, cada 20 mmHg a mais de sistólica — ou 10 mmHg de diastólica — duplicava, entre os 40 e os 69 anos, a mortalidade por AVC e por doença isquémica do coração.

O que a hipertensão praticamente não causa é sintomas. Quase sempre é silenciosa — a Organização Mundial da Saúde chama-lhe mesmo assassino silencioso — e daí rastrear em vez de esperar por queixas. Fizemos a lista de o que se sente e o que não se sente à parte.

Quando a subida da tensão não é para investigar em casa

Emergência hipertensiva, na definição da norma portuguesa, começa nos 180/110 mmHg, com lesão aguda de um órgão-alvo à mistura — e quase sempre com queixas. Nestes casos a causa deixa de ser a pergunta relevante:

  • alterações súbitas da visão
  • dor no peito ou dificuldade em respirar
  • dor de cabeça forte, diferente das que costuma ter
  • tonturas intensas, perda de força ou outros défices neurológicos

Com qualquer um destes sinais e valores nesta ordem de grandeza, ligue 112 ou dirija-se a um serviço de urgência. Uma tensão ≥180/100 mmHg sem sintomas nenhuns tem regra própria: confirmar com medições adicionais na mesma avaliação e excluir emergência hipertensiva, com contacto médico a curto prazo.

A sua causa não está nesta página

Está aqui o que a norma portuguesa em vigor reconhece como causa, com os limiares em números, a lista de fármacos e substâncias que sobem a tensão e os critérios que levam um médico a procurar uma origem secundária.

Não está aqui a sua causa. Perceber porque é que a tensão de uma pessoa concreta subiu exige história clínica, exame físico e análises, e nada disso cabe num texto. Também não está aqui autorização para suspender ou trocar seja o que for: a tabela do Anexo III existe para ser levada à consulta, não para decidir sozinho.

As «causas emocionais» que não vai encontrar aqui

Porque não temos com que a sustentar. A norma portuguesa não inclui o stress entre as medidas de estilo de vida com efeito comprovado na tensão, nem entre as causas secundárias a investigar — e escrever «o stress é a principal causa da hipertensão» seria dar autoridade a uma frase sem fonte.

Preferimos dizer o que se sabe e onde acaba o que se sabe: a ansiedade altera a leitura no momento em que se mede, e isso tem nome, critérios e valores. Um número sobre stress crónico e mmHg é coisa que não pomos aqui enquanto não tivermos um estudo para o acompanhar.

Fontes e documentos citados

  1. Direção-Geral da Saúde. Abordagem diagnóstica e terapêutica da pessoa com hipertensão arterial — Norma n.º 001/2026, publicada a 04/03/2026. Usados o Quadro 2, o Anexo III, o ponto 20 e a fundamentação científica: https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0012026-de-04032026-abordagem-diagnostica-e-terapeutica-da-pessoa-com-hipertensao-arterial.aspx
  2. WHO. Sodium reduction — fact sheet: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/sodium-reduction
  3. Hypertension prevalence in Portugal: a systematic review and meta-analysis. Revista Portuguesa de Cardiologia, 2026;45(3):149-162. DOI 10.1016/j.repc.2025.11.008: https://revportcardiol.org/pt-hypertension-prevalence-in-portugal-a-articulo-S0870255126000284
  4. Effects of the DASH diet on blood pressure: meta-analysis, Nutrition, Metabolism and Cardiovascular Diseases, 2014. PMID 25149893: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25149893/
  5. Melissa officinalis em diabéticos tipo 2 com depressão: ensaio aleatorizado controlado por placebo, 12 semanas. BMC Complementary Medicine and Therapies, 2023. PMC10152712: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10152712/
  6. WHO. Global report on hypertension: the race against a silent killer, 2023: https://www.who.int/publications/i/item/9789240081062

Perguntas frequentes

O que causa a tensão alta?

Na maioria dos casos, uma soma de fatores e não um culpado isolado: sal a mais, peso a mais, álcool, pouco movimento e tabaco, assentes numa base de idade e de antecedentes familiares. Numa minoria há uma origem concreta — apneia do sono, doença renal, alterações hormonais — e aí fala-se de hipertensão secundária.

O stress causa hipertensão?

A norma portuguesa em vigor não põe a gestão do stress entre as medidas de estilo de vida com efeito reconhecido na tensão, nem o stress entre as causas secundárias a investigar. Documentado está o efeito da ansiedade sobre a leitura no momento em que se mede — a bata branca — e o efeito real do álcool e dos estimulantes, companhias frequentes de períodos difíceis.

A ansiedade pode fazer subir a pressão arterial?

Pode fazer subir o valor medido nesse momento. A norma portuguesa descreve a hipertensão da bata branca — o consultório acusa 140/90 mmHg ou mais e o aparelho de casa fica abaixo de 135/85 mmHg — e exige cinco minutos de repouso antes de qualquer medição. Uma leitura alta apanhada em pleno episódio de ansiedade repete-se em descanso antes de servir de conclusão.

A tensão alta é hereditária?

A história familiar é um dos fatores não modificáveis da hipertensão primária, juntamente com a idade. Não determina o diagnóstico e não altera o valor que o define: o limiar continua a ser ≥140/90 mmHg no consultório, com ou sem antecedentes familiares.

Porque é que a minha tensão subiu se não mudei nada?

Convém rever a farmácia de casa antes de assumir que subiu sem motivo. A norma tem um anexo dedicado a isso, onde entram os anti-inflamatórios, o paracetamol tomado quase todos os dias, os sprays nasais descongestionantes, a contraceção hormonal, os corticoides, os estimulantes e plantas como o alcaçuz e o hipericão.

Que medicamentos sem receita podem subir a tensão?

Os anti-inflamatórios não esteroides, o paracetamol em uso quase diário e os descongestionantes nasais com fenilefrina ou pseudoefedrina constam da lista oficial. Entre os produtos à base de plantas aparecem o alcaçuz, o hipericão, a ioimbina, o ginseng em doses elevadas e a efedra.

A pílula faz subir a tensão?

Os estrogénios e progestagénios provocam um aumento ligeiro e sustentado da tensão — 6 mmHg na sistólica e 3 mmHg na diastólica com doses elevadas — e explicam o aparecimento de hipertensão em cerca de 5% de quem os usa, segundo o Anexo III da norma portuguesa.

Quanto sal é demais?

Acima de 5 g diários, cerca de uma colher de chá, o equivalente a 2000 mg de sódio. Em 2021 o consumo médio mundial andava perto de 11 g de sal por dia, e a Organização Mundial da Saúde atribui ao excesso de sódio cerca de 30% da hipertensão existente.

O álcool faz subir a tensão de forma permanente?

O Anexo III descreve o efeito do álcool como um aumento sustentado e dependente da dose, não como um pico passageiro. O limite indicado são 100 g por semana, exemplificados com 200 ml de cerveja diários ou 50 ml de vinho, e o documento acrescenta que suspender é preferível.

O café faz subir a tensão?

Não é o café que a norma portuguesa aponta: o documento diz que bebê-lo não aparece ligado a maior risco cardiovascular. As bebidas que manda evitar são as energéticas, com cafeína e taurina. Mesmo assim, o protocolo de medição exige 30 minutos sem café antes de medir — não por causar doença, mas para a leitura não sair falseada.

Quando é que se procura uma causa específica para a hipertensão?

Em três situações previstas na norma: idade inferior a 40 anos; tensão que não cede ao tratamento otimizado; sinais ou sintomas a apontar para uma origem concreta, incluindo o uso de fármacos que a fazem subir. Havendo obesidade antes dos 40, a apneia obstrutiva do sono passa à frente na lista de suspeitas.

A apneia do sono causa tensão alta?

A apneia obstrutiva do sono consta do Quadro 2 da norma portuguesa entre as causas secundárias a pesquisar, e o exame indicado é o estudo polissonográfico. Antes dos 40 anos, havendo obesidade a acompanhar a tensão alta, é a primeira hipótese a excluir.